sábado, 25 de fevereiro de 2017

Se o dinheiro tivesse sido investido na massificação

* Por Alberto Murray Neto
Nunca investiu-se tanto no esporte quanto nos oito anos que antecederam os Jogos Rio 2016. Da mesma forma, nunca investiu-se tão errado. A intenção do governo e da cartolagem nunca foi massificar e democratizar a prática esportiva. Tampouco criar uma política de Estado para o esporte do Brasil, desde a base. O dinheiro que foi injetado nesse segmento serviu, em primeiro lugar, para satisfazer os anseios megalômanos de gente preocupada, apenas, em realizar grandes eventos. Nada além disso.
            Uma vez obtido o direito de sediar os Jogos Olímpicos, com muito medo de passar uma solene vergonha em casa, a ordem foi que todos os incentivos, recursos, energias e iniciativas fossem dedicados ao altíssimo rendimento, com o objetivo de ganhar o maior número de medalhas possíveis. Quiseram fazer em menos de oito anos aquilo que não fizeram em vinte. A base ficou ainda mais desassistida. São pouquíssimas as modalidades em que os jovens atletas têm, de suas Confederações, algum tipo de auxílio. Normalmente nas categorias de base é cada um por si. Quem as sustentam são os clubes e as famílias.
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            Passados os Jogos Olímpicos, os próprios dirigentes organizadores reconhecem que não houve planejamento de longo prazo. Hoje, muitos atletas estão desempregados, sem benefícios e perspectivas.  E, com eles, seus técnicos e membros das equipes multidisciplinares.
            Se em vez de investir bilhões em grandes eventos esportivos tivessem injetado parte disso na formação e massificação de atletas, levado a prática do desporto a todas as escolas públicas do país, planejado, com honestidade e transparência, estaríamos, atualmente, em condições muito melhores. Uma geração olímpica se forma em cerca de três ciclos. A partir daí, com uma estrutura de esporte solidificada, o Brasil poderia ter começado a pensar em sediar Olimpíada.
            No Brasil, a patota olímpica errou feio e quis começar a construção da casa pelo telhado.
Alberto Murray Neto é paulistano, advogado militante, formado pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Largo de São Francisco e Pós Graduado pela Faculdade de Direito da Universidade de Toronto, Ontario, no Canadá.
Sua vida esportiva, olímpica, começou muito cedo. Influenciado pelo avô materno, Sylvio de Magalhães Padilha. Formou-se em Estudos Olímpicos pela Academia Olímpica Internacional, em Olympia, Grécia, em 1994. Estive presente a todas as edições de Jogos Olímpicos desde 1972.
Árbitro da Corte Arbitral do Sport, instância máxima da jurisdição desportiva mundial, localizada em Lausanne, na Suíça, de 2007 a 2011. Membro do Comitê Olímpico Brasileiro de 1996 até 2008.

Um comentário:

  1. Prezado Editor do Jornal Podium, venho por meio deste sugerir que vossa senhoria aprofunde suas coberturas no esporte varginhense. Que faça mais reportagens sobre política esportiva. Entreviste autoridades, técnicos e atletas e faça-os pensar e agir. O avanço do esporte depende de todos. Vejo a Semel transformar-se em secretaria do drible, nos vários sentidos da palavra. Vi o conselho perder um ano inteiro para afagar ego pessoal aguardando mais nomeações. Vejo há décadas a falta de cultura em valorização de tradição, fato pluralizado em várias gestões. Vi os representantes esportivos aplaudirem pseudopolíticos no lançamento de um evento esportivo e depois vi os atletas reclamando que não havia dotação para participar dessa referida competição. Não quero comparar Varginha com grandes cidades. De que adianta o jornal publicar os desmandos nacionais e fazer vista grossa no próprio quintal?

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